“Quem vai pagar um preço muito alto é o município”, diz Eduardo Alencar sobre salários exagerados de funcionários da prefeitura


A tradicional demissão em massa ainda assombra os servidores de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Embora tenha quebrado o costume dos anos anteriores, em que quase 2.000 funcionários eram demitidos no mês de dezembro, o prefeito Diógenes Tolentino deve começar a se preocupar com a decisão de manter a folha de pagamento acima do limite prudencial.

Quanto menor a receita, maior o impacto dos gastos com pessoal, já que a Lei de Responsabilidade Fiscal prevê o limite máximo de 54% da Receita Corrente Líquida para municípios gastarem neste item. Contudo, em Simões Filho está sendo gasto 69,42% .

De acordo com os dados levantados pelo Mapele News nos últimos dias, com uma receita total de 26 milhões, 133 mil e 180 reais, a prefeitura tem somente com a folha de pagamento dos servidores o montante de 18 milhões, 142 mil e 952 em despesas.

Esse exagero nas despesas com pessoal pode ser facilmente justificado se levado em consideração os salários absurdos que superintendentes e assessores da prefeitura ganham, em torno de R$ 9.000,00 e mais gratificações que chegam em quase 100%.

Com o dinheiro público escoando pelos ralos da prefeitura, o gestor simõesfilhense assume um risco imensurável, podendo ter suas contas rejeitadas pelo TCM e quem sabe até respondendo processos que no futuro podem deixá-lo inelegível.

Apesar de ter criticado por diversas vezes a administração do ex-prefeito Eduardo Alencar pelas tradicionais demissões em massa que realizou ao longo de seus mandatos, pelo que consta, também não restará ao prefeito Dinha outra alternativa que não seja o corte de funcionários.

Contudo, apesar de ter exonerado alguns funcionários que participarão da campanha da vereadora e primeira-dama Kátia Oliveira como deputada estadual, o prefeito resolveu substituir esses comissionados por pessoas próximas, que passam receber praticamente o mesmo valor de proventos.

Em contato com a nossa redação na manhã desta terça-feira (07), o ex-prefeito e também candidato a deputado estadual, Eduardo Alencar fez uma pequena análise do que ele prevê para o futuro do seu principal opositor.

“O índice da folha está alto a mais de 60% e eu acredito que ele deve está utilizando dinheiro público para empregar os cabos eleitorais da candidata a deputada estadual, usando o método do empreguismo para favorecer as pessoas a votarem em Kátia. Ele está contratando agora para depois das eleições demitir, porque não tem como você permanecer com um índice tão alto assim”, revelou Eduardo Alencar.

Ainda conforme o antigo alcaide, quem vai sofrer com as irresponsabilidades do governo atual é a população. “Quem vai pagar um preço muito alto é o município com falta de infraestrutura, atrasando folha, cidade suja e uma série de fatos que levam o município a cair cada dia mais”, completou Alencar.

Neste mesmo período do ano passado, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) levantou dados de 346 municípios baianos e identificou que 90 deles estavam no limite, 47 já na margem emergencial e 104 já haviam estourado o limite, incluindo Simões Filho. Como municípios têm a obrigação de cumprirem o piso do magistério e de entrarem com recursos para a saúde, não sobra nada. O jeito é demitir.

 

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